sexta-feira, 17 de junho de 2011

Temperada

O tempo é das coisas mais estranhas a serem observadas. Como o tempo passa. A forma que ele passa, o significado do passar do tempo. Cada passo, cada letra digitada, cada segundo, e o tempo passou, e já foi, já era. O tempo não para de passar. Não importa o quanto ele seja observado, parece que não se sente intimidado em passar bem diante dos nossos olhos. Hoje está tudo bem, e o tempo passa, e uma ação despenca na Bovespa, alguns mineiros são presos em uma mina no Chile, um terremoto destrói umas das maiores potencias em ascensão no mundo. E o tempo passa, e tudo é passado junto com ele.
Em um dia, se está feliz, ao lado da família, podendo abraçar e beijar sua mãe a hora que tiver vontade, é possível conversar com o seu pai sobre viagens e a nota baixa no final do semestre, assim: cara-a-cara. Você tem milhares de amigos, e eles te amam e te veneram, você sabe o que está fazendo e parece que tem resposta pra tudo. E de repente, como se não fosse nada, o tempo passa. E você se vê sozinha no meio da sala, longe dos pais, longe dos tais amigos, fazendo nada absolutamente. Em outra cidade. Seus amigos agora são pessoas que são obrigadas a conviver com você porque cursam a mesma faculdade. Seu namorado, que você tanto amava, te dá um pé na bunda. O maior erro do tempo é o de nos acostumar tão bem com alguma situação, para no momento seguinte tirá-la de nós. Tenho vontade de gritar: VOLTA TEMPO! VOLTA PRA CÁ, OU VOCÊ ME ESQUECEU AQUI PARADA?
E por fim, a gente se pega parado no tempo. Nosso melhor tempo já passou, e de repente o tempo começa a fechar. São rajadas de chuvas, nevascas, enchentes...E esse tempo brincalhão não dá sossego pra quem quer que seja.
Inacreditável a mania humana de culpar coisas que estão fora de seu alcance controlar. Impossível dizer que foi o tempo que levou toda a vida para um lado, e depois trouxe para outro. Impossível culpar o tempo pelo sol ou pela chuva de todos os dias. Não é culpa do tempo os quilinhos a mais na balança, nem as rugas no rosto. Mas se o tempo não tivesse passado? E se tudo estivesse estaticamente parado como naquele tempo?
Quando tudo está em seu devido lugar, e o globo terrestre gira ao redor do seu umbigo, o tempo parece que passa correndo, só pra gente não poder aproveitar um pouquinho mais.
Basta o pilar que nos mantém de pé desabar, e pronto. O tempo congela. Fica ali, dias e dias e dias naquele mesmo tempo de chove-e-não-molha. Poxa, Tempo, custa passar bem rápido agora? Eu não tenho pressa em ver o final do filme, só não estou gostando muito dessa cena. Magicamente, naquele momento, ninguém ouve. E parece que só de proposito nasce um imenso Sol ao lado da sua janela, como quem quer dizer: Vai, faz teu próprio tempo hoje! Corre, que o relógio não parou, nem vai parar agora, e você tem todo o tempo do mundo pra consertar os erros do passado. Você tem todo o tempo do mundo pra refazer os erros mais divertidos, e principalmente, começar erros novos. Hoje é um ótimo tempo para se acertar. E não esquece, que no final do dia, o tempo ainda vai estar lá, do seu lado.
E aí? Querido tempo, seria você meu amigo, meu maior aliado? Seria você meu algoz? Sou a presa e você o caçador, ou é ao contrário?
Todos os dias há Sol. Nem todos os dias há chuva. Ô, Tempinho destemperado! Diz pra mim, qual a razão? Tem fim um dia? Mesmo que eu não esteja mais aqui, ainda vai existir esse Tempo todo? E se houver um tempo que não exista mais Sol e nem chuva, aonde o tempo vai passar? Pra que marcar o tempo em horas, dias, anos, se essas coisas um dia vão acabar, e o Tempo não se deixa marcar em lugar nenhum? Ele sempre apaga as marcas, as cicatrizes, as dores, os amores. Nada é mais eterno que o Tempo. Pra que contar? Perdi meu tempo.

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